01 Setembro, 2006

MINHAS MÚSICAS PREDILETAS

A LISTA
Faça uma lista de grandes amigos Quem você mais via há dez anos atrás Quantos você ainda vê todo dia Quantos você já não encontra mais Faça uma lista dos sonhos que tinha Quantos você desistiu de sonhar Quantos amores jurados pra sempre Quantos você conseguiu preservar Onde você ainda se reconhece Na foto passada ou no espelho de agora Hoje é do jeito que achou que seria? Quantos amigos você jogou fora Quantos mistérios que você sondava Quantos você conseguiu entender? Quantos segredos que você guardava Hoje são bobos ninguém quer saber Quantas mentiras você condenava Quantas você teve que cometer Quantos defeitos sanados com o tempo ram o melhor que havia em você Quantas canções que você não cantava Hoje assobia pra sobreviver Quantas pessoas que você amava Hoje acredita que amam você

CHÃO DE GIZ
Zé Ramalho Introdução:
Eu desço dessa solidão, disparo coisas sobre um chão de giz Há meros devaneios tolos a me torturar Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde Eu vou te jogar num pano de guardar confetes Eu vou te jogar num pano de guardar confetes Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão-vizir Há tantas violetas velhas sem um colibri Queria usar quem sabe, uma camisa de força ou de vênus Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar Meus vinte anos de "boy", "that's over, baby" , Freud explica Não vou me sujar fumando apenas um cigarro Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval E isso explica porque o sexo é assunto popular no mais estou indo embora no mais estou indo embora
no mais estou indo embora No mais...
CIDADÃO
Zé Geraldo

Tá vendo aquele edificio, moço? Ajudei a levantar Foi um tempo de aflição, era quatro condução: Duas pra ir duas pravoltar. Hoje, depois dele pronto, óio pra cima e fico tonto Mas me chega um cidadão . . . e me diz desconfiado Tu tá ai admirado ou tá querendo roubar ? Meu Domingo tá perdido, vou pra casa entristecido Dá vontade de beber . . . .E prá aumentar o meu tédio Eu nem posso oiá pro prédio que eu ajudei a fazer Tá vendo aquele colégio, moço? Eu também trabalhei lá . . . Lá eu quase me arrebento, pus a massa, fiz cimento, ajudei a rebocar ... Minha filha inocente, vem pra mim toda contente, “Pai, vou me matricular” Mas me vem um cidadão, crianças de pé no chão Aqui não pode estudar . . . Essa dor doeu mais forte Por que é que eu deixei o norte? Eu me pus a me dizer Lá a seca castigava, mas o pouco que plantava tinha direito a comer Tá vendo aquela igreja moço? Onde o padre diz amém ... Pus o sino e o badalo, enchi minhas mãos de calos, lá eu trabalhei também . . . Lá assim valeu a pena: tem quermesse, e tem novenas E o padre me deixa entrar ... Foi lá que Cristo me disse: Meu rapaz, deixe de tolice não se deixe amedrontar ... Fui eu quem criou a terra, enchi os rios fiz as serras, não deixei nada faltar Hoje o homem criou asas e nas maiorias das casas eu também não posso entrar.

Eu, vou buscar muito maispois foi muito pouco o que a sociedade reservou para MIM

EPITÁFIO (Titãs)

Devia ter amado mais,Ter chorado mais,Ter visto o sol nascerDevia ter arriscado maisE ter errado maisTer feito o que eu queria fazerQueria ter aceitado as pessoas como elas sãoCada um sabe a alegria e a dor que traz no coraçãoO ACASO VAI ME PROTEGERENQUANTO EU ANDAR DISTRAIDOO ACASO VAI ME PROTEGERENQUANTO EU ANDARDevia ter complicado menosTrabalhado menos... ter visto o sol se pôrDevia ter me importado menos com problemas pequenosTer morrido de amor....Queria ter aceitado a vida como ela é...Cada um sabe a alegria e a tristeza que vierO ACASO VAI ME PROTEGERENQUANTO EU ANDAR DISTRAIDOO ACASO VAI ME PROTEGERENQUANTO EU ANDAR....Devia ter complicado menos....Trabalhado menos....Ter visto o sol se pôr.....